sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

HPV: o vírus do câncer de colo do útero

“Vou falar com as minhas amigas que têm filhas nessa idade para vaciná-las e se prevenirem. Vou avisar também às minhas sobrinhas”, afirmou Maria do Socorro dos Santos, secretária de 41 anos que acabou de retirar o útero por causa de um câncer no colo do útero causado pelo Papiloma Vírus Humano (HPV). Histórias como a de Maria serão menos comuns no futuro, quando os resultados da campanha de vacinação do Ministério da Saúde começarem a aparecer.
Pela primeira vez, o Ministério da Saúde disponibilizará gratuitamente a vacina contra o HPV para garotas de 11 a 13 anos, ampliando para as de 9 a 11 anos a partir de 2015. Principal causa do câncer de colo do útero, que é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, o HPV é transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosas infectadas por meio da relação sexual. Também pode ser transmitido de mãe para filho no parto.
Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) estima que em 2014 surjam 15 mil novos casos e 4,8 mil mortes devido ao câncer de colo do útero. Maria do Socorro faz o preventivo todos os anos e, por isso, descobriu o câncer cedo, o que aumenta a chance de cura. “Faço o preventivo sempre e nunca dava nada. Ano passado descobri que estava com o vírus”, comenta.
A psicóloga Geisa Freire Cavalcanti, de 37 anos, soube pela pediatra da filha de 12 anos que haveria a campanha de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) contra o HPV. “Vai facilitar muito porque o preço da vacina privada é muito caro. Assim que tiver a vacina vou levá-la com certeza. Porque nem todo mundo pode pagar né? Imagina, mil reais? Quem pode pagar?”, questiona Geisa sobre o preço da vacina na saúde privada.
No Distrito Federal, a campanha de vacinação contra o HPV começou em 2013. A servidora pública Simone Gueresi, de 44 anos, aproveitou e vacinou sua filha de doze anos. “É uma oportunidade de evitar o vírus, pois a incidência é muito grande. Se eu tivesse tido essa oportunidade, provavelmente não teria tido o câncer”, ressalta Simone. Ela descobriu que tinha HPV ainda nova e, 20 anos depois, acabou desenvolvendo um tumor no útero.
Médico ginecologista do Hospital do Câncer de Barretos, o Dr. Júlio Possati Resende alerta que a vacina não substitui o exame preventivo do Papanicolau nas mulheres de 25 a 64 anos, tão pouco o uso de preservativos nas relações sexuais.
“Não são todas as mulheres que têm a infecção por HPV que irão desenvolver o câncer. A maioria são infecções benignas. Mesmo essa porcentagem sendo pequena, em termos de saúde pública - como o HPV é muito frequente - a quantidade de mulheres que ainda desenvolvem o câncer de colo uterino não é desprezível. Isso, por si só, justifica a iniciativa da vacinação”, explica o médico Júlio Possati.
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Fonte: Blog da Saúde 

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