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sexta-feira, 18 de março de 2016

Além do câncer, o cigarro causa envelhecimento precoce da pele

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que pelo menos um terço da população mundial adulta seja fumante. O tabagismo tem relação com vários tipos de câncer (pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, estômago, bexiga, colo do útero e leucemias). Fumantes chegam a ter 20 vezes mais chances de ter a doença no pulmão que não fumantes, 10 vezes mais chances de ter a doença na laringe e de duas a cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de esôfago.

Ricardo Meirelles, médico Pneumologista da Divisão de Controle de Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), explica que o tabagismo afeta todos os órgãos do corpo humano. “O tabagismo em relação direta com mais de 50 doenças. Hoje é provado que não existe órgão que não seja afetado diretamente pelo cigarro. A fumaça, não só do cigarro como outros derivados do tabaco, possui 60 substâncias cancerígenas e 4700 substância toxicas”, explica. 30% dos casos de câncer tem ligação com o tabagismo, no caso de câncer de pulmão, por exemplo, a incidência sobe para 90%.
Entre os prejuízos causados pelo cigarro estão também os dermatológicos, como pele seca, aparecimento de rugas e queda de cabelo. O dermatologista Luciano Morgado, explica o motivo: “O cigarro, assim como no pulmão, causa a diminuição da circulação sanguínea na pele, a vaso constrição. Com a chegada menor de sangue no local, vão diminuindo as fibras colágenas e elásticas, que são o que dá firmeza para pele. Com isso a pele vai ficando com uma coloração amarelada e com mais rugas, principalmente ao redor dos lábios e dos olhos. Além disso, o cigarro aumenta a atividade de uma enzima que chama elastase, que no pulmão causa enfisema e na pela degrada as fibras elásticas”.

A pedagoga Doralice Vieira, 59 anos, fumou por 10 anos e sentiu muita diferença na pele. “Tive consequência sérias na minha pele por causa deste período fumando. Fiquei mais enrugada, com um código de barras, principalmente ao redor da boca. Sentia que a pele estava cansada. Além da parte estética, percebi que minha saúde também não estava a mesma, ficava ofegante depois de subir qualquer escada ou andar um pouco mais”, relembra.20150916 170228

A questão estética somada à saúde motivou Doralice a parar de fumar. “Isso foi me incomodando muito. Quando eu parei de fumar, notei a diferença que isso fazia na minha pele. Fiz inclusive alguns procedimentos estéticos para melhorar a aparência. Se eu não tivesse parado de fumar estaria com uns 15 a mais na minha aparência”.

O SUS oferece tratamento gratuito para quem quer deixar o tabagismo. A Secretaria Estadual e/ou Municipal de Saúde da sua região pode informar o local com o tratamento disponível mais próximo da sua casa. Para ter acesso ao tratamento, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde que presta o atendimento, levar a identidade e se inscrever no programa de combate ao tabagismo do SUS.

Para saber mais sobre o tratamento gratuito para combater o vício do cigarro, acesse www.inca.gov.br/tabagismo . Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como câncer, enfisema ou derrame.

Pele ressecada 

Como o cigarro age: A nicotina provoca contração dos vasos sanguíneos, diminuindo a circulação sanguínea na pele, o que resulta em lesão das fibras elásticas e diminuição da síntese de colágeno.

Nascimento de rugas e marcas de expressão

Como o cigarro age: O consumo de nicotina leva à diminuição do nível de estrogênio, resultando em uma pele seca e com piora do seu aspecto geral. O fumo também aumenta a viscosidade sanguínea, a agregação das plaquetas e a atividade da enzima chamada elastase, o que resulta em formação defeituosa da elastina, tornando a pele mais espessa e fragmentada. Ou seja, faz a pele ficar cinzenta e com rugas proeminentes, apresentando mais linhas ao redor dos olhos e lábios.

Queda de cabelos 

Como o cigarro age: Devido ao dano na microcirculação sanguínea, o fumo leva a uma diminuição no aporte de nutrientes e oxigênio nas células, resultando em cabelos com menos viço, ressecados e com maior índice de queda.

Recuperação de cirurgias 

Como o cigarro age: Devido aos danos ocasionados na microcirculação sanguínea e no sistema imune, o tabagismo aumenta o risco de infecções, abertura dos pontos e de cicatrizes nas cirurgias plásticas, por exemplo.

Amarelamento de certas áreas do copo

Como o cigarro age: O alcatrão presente nos cigarros também pode levar à coloração amarelada dos dentes, unhas e da pele do rosto. Após parar de fumar, a pele pode apresentar melhora gradual ao decorrer do tempo.


Fonte: Blog da Saúde

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Representante da OMS elogia Lei Brasileira Antifumo

O Brasil tem avançado progressivamente no controle do tabagismo. A avaliação foi feita pela chefe do Secretariado da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), Vera Luiza da Costa, durante encontro com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, em Brasília. Entre as últimas conquistas obtidas, Vera destacou a regulamentação da Lei Antifumo por meio de decreto presidencial, que estabelece ambientes fechados de uso coletivo 100% livres de tabaco. A nova regra entrará em vigor em dezembro deste ano, ou seja, 180 dias após sua publicação no Diário Oficial da União. O objetivo é proteger a população do fumo passivo e contribuir para diminuição do tabagismo entre os brasileiros.

A representante da OMS reconheceu ainda outras iniciativas que coloca o Brasil em posição de vanguarda. “A regulamentação da lei em ambientes livres de fumo associada ao aumento do preço do cigarro, a proibição da propaganda e o impedimento do fumo em locais coletivos fechados, posicionaram os brasileiros como sendo a maior população do mundo protegida dos malefícios passivos do tabaco”, afirmou Vera Luiza. Entretanto, ela apontou alguns desafios para o país nesta área, como a proibição de aditivos em cigarros, e a necessidade do Brasil manifestar seu apoio ao Protocolo de Cooperação Internacional para combate ao comércio ilícito dos produtos do tabaco, que precisa ser ratificado por 40 países para entrar em vigor, inclusive o Brasil.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, destacou o Brasil como referência internacional, sendo o único a construir historicamente, com esforço conjunto entre governo e sociedade, uma política antitabagismo de muitos resultados. “É fundamental que todos continuem enfrentando o tabagismo como um grave problema de saúde pública e um desafio para que a sociedade possa viver de forma mais saudável. A regulamentação da Lei Antifumo é um grande avanço para o Brasil. É a possibilidade concreta que temos de viver em ambientes livres do tabaco, e cada vez mais fortemente protegidos pela regulamentação moderna que o Brasil vem construindo”, afirmou o ministro.



A chefe do Secretariado da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), Vera Luiza da Costa, participa, nesta quinta-feira (21), em Brasília, de encontro para tratar dos temas que serão apresentados pelo Brasil na 6ª Conferência das Partes (COP 6) da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), prevista para outubro deste ano, na Rússia.

De acordo com a Lei Antifumo recentemente regulamentada, está proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos e outros produtos fumígenos em locais de uso coletivo, públicos ou privados, como hall e corredores de condomínio, restaurantes e clubes, mesmo que o ambiente esteja só parcialmente fechado por uma parede, divisória, teto ou até toldo. Os narguilés também estão vetados. A norma também extingue os fumódromos e acaba com a possibilidade de propaganda comercial de cigarros até mesmo nos pontos de venda, permitindo somente a exposição dos produtos, acompanhada por mensagens sobre os malefícios provocados pelo fumo. A legislação anterior permitia as propagandas no display.

Outra obrigatoriedade prevista é o aumento dos espaços para os avisos sobre os danos causados pelo tabaco, que deverão aparecer em 100% da face posterior das embalagens e de uma de suas laterais. A partir de 2016, deverá ser incluído ainda texto de advertência adicional em 30% da parte frontal dos maços dos cigarros.

Além da nova lei, o Brasil conta ainda com outras duas importantes medidas que buscam diminuir o impacto do tabaco na vida das pessoas. A primeira delas é o aumento do preço a partir da edição de lei em 2011, que já é um consenso internacional, seguida da proibição da propaganda. “Temos uma taxa média de prevalência de tabagismo de 11,3%, consideradas uma das mais baixas em comparação com as de outros países. Isso é sinal de que as nossas políticas, trabalhadas desde o início do Sistema Único de Saúde (SUS), são consistentes e estão evoluindo. Ainda temos desafios a enfrentar. Um deles é impedir a iniciação do fumo na juventude”, avaliou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Jarbas Barbosa, que também participou da reunião.

PREVALÊNCIA - No Brasil, o número de fumantes permanece em queda. Segundo o Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), o percentual caiu 28% nos últimos oito anos. Em 2006, 15,7% da população adulta que vive nas capitais fumava. Em 2013, a prevalência caiu para 11,3%. O dado é três vezes menor que o índice de 1989, quando a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou 34,8% de fumantes na população. A meta do Ministério da Saúde é chegar a 9% até 2022.

O Sistema Único de Saúde oferece tratamento para quem deseja parar de fumar. Atualmente, há 23.387 equipes da família, em 4.375 municípios, preparadas para atender a população. Além do acompanhamento profissional, são oferecidos medicamentos, como adesivos, pastilhas, gomas de mascar e o antidepressivo bupropiona. O Ministério da Saúde destinou R$ 41 milhões para compra desses medicamentos, ofertado no tratamento contra o tabagismo.

Responsável por cerca de 200 mil mortes por ano no Brasil, o tabagismo é reconhecido, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma doença epidêmica. A dependência da nicotina expõe os fumantes continuamente a mais de quatro mil substâncias tóxicas, fator de risco para aproximadamente 50 doenças, principalmente as respiratórias e cardiovasculares, além de vários tipos de câncer.

Os cânceres de pulmão e laringe são os que mais matam e representam 12,3% dos tipos de câncer no Brasil. Em 2012, o país registrou 23.501 óbitos de câncer de pulmão e 4.339 de laringe. Para 2014, estima-se o surgimento de 27,3 mil novos casos de câncer de pulmão e 6.870 de laringe.

Fonte: MS