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sábado, 14 de maio de 2016

Fiocruz apresenta pesquisas sobre chikungunya, zika e Aedes

A edição de maio da revista "Memórias" do Instituto Oswaldo Cruz apresenta entre os destaques um estudo sobre as características genéticas do vírus chikungunya de viajantes que chegaram ao Rio de Janeiro entre 2014 e 2015. A análise realizada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) apontou a presença da linhagem asiática do vírus, indicando oito pontos de variação no genoma viral em um dos pacientes.
Outro estudo em destaque revela detalhes sobre os danos provocados pelo zika vírus na placenta de mulheres infectadas em diferentes períodos da gestação.
A publicação traz também um artigo que mostra a ampla disseminação da resistência a um larvicida entre as larvas do Aedes aegypti. A edição de maio da publicação Memória reúne, ao todo, dez artigos e pode ser acessada gratuitamente on-line.
 Chikungunya em viajantes

Uma pesquisa sobre características genéticas das cepas do vírus chikungunya isoladas de quatro viajantes que desembarcaram no Rio de Janeiro entre 2014 e 2015 reforça a importância desse tipo de monitoramento em ações de vigilância de doenças emergentes, aponta a Fiocruz. A análise identificou que os pacientes, com histórico de viagem para o Caribe, eram portadores de vírus da linhagem asiática.

O sequenciamento do genoma completo de um dos patógenos indicou semelhança de 97% a 99% com outras cepas da mesma linhagem isoladas de pacientes em diferentes países das Américas entre 2013 e 2014. Ao todo, oito pontos de variação no genoma foram identificados.

Segundo os autores, a linhagem asiática do vírus chikungunya foi a primeira a provocar casos da doença no continente americano. Em dezembro de 2013, cepas dessa linhagem foram detectadas no Caribe e progressivamente se espalharam para diversos países da região. No Brasil, porém, tanto a linhagem asiática como a linhagem africana do vírus chikungunya passaram a circular em 2014.

O primeiro registro de transmissão da linhagem asiática ocorreu em setembro de 2014, no Amapá, possivelmente após a chegada de um viajante do Caribe. Já a linhagem africana foi detectada uma semana depois, na Bahia, provavelmente trazida por um paciente vindo de Angola. No Rio de Janeiro, casos autóctones da febre chikungunya – transmitidos localmente – começaram a ser registrados em dezembro de 2015 e é possível que as duas linhagens estejam em circulação desde então.

De acordo com os cientistas, o cenário reforça a importância do monitoramento das características genéticas das cepas trazidas por viajantes, que podem introduzir mutações ainda não encontradas no País. Clique AQUI para conferir a pesquisa.

Danos associados ao zika vírus

Um estudo que analisa cinco casos de gestantes infectadas pelo zika vírus avaliou os danos provocados na placenta em diferentes fases da gestação. Seguindo a política de divulgação imediata de dados científicos sobre o tema, o artigo foi publicado no Zika Fast Track da revista Memórias, no dia 8 de março e incluído na edição de maio da publicação após o processo de revisão por pares. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Carlos Chagas (Fiocruz-Paraná) em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A pesquisa identificou, pela primeira vez, sinais de imaturidade placentária e de inflamação do tipo TORCH (sigla que reúne outras infecções associadas a malformações congênitas, como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus). Os problemas foram verificados em quatro pacientes infectadas no primeiro trimestre da gravidez. Uma delas sofreu aborto espontâneo na oitava semana da gestação e as outras três deram à luz bebês com microcefalia, que morreram pouco depois de nascer. Em todos os casos, o material genético do zika vírus foi encontrado tanto na placenta das gestantes como nos cérebros dos bebês.

O quinto caso investigado na pesquisa envolveu uma mulher infectada no oitavo mês de gestação que deu à luz um bebê saudável. Embora o zika vírus tenha sido encontrado na placenta da gestante, o bebê não foi infectado. Para os autores, ainda que a análise tenha contemplado um número reduzido de casos, os resultados indicam que a infecção no primeiro trimestre pode estar mais diretamente associada às malformações congênitas. A principal hipótese é que nas fases mais avançadas da gravidez, a placenta tenha maturidade suficiente para impedir a transmissão do zika vírus da mãe para o feto. Clique AQUI para acessar o estudo.

Resistência à larvicida mapeada

Um dos produtos mais usados no mundo por aliar alta eficácia, baixo custo e baixa toxicidade, o larvicida temefós começou a ser aplicado rotineiramente no Brasil nos anos 1980. No entanto, em 2010, seu uso precisou ser suprimido por causa do aumento da resistência das larvas do Aedes aegypti.

Com base em dados coletados ao longo de 12 anos, pesquisadores produziram mapas que mostram como o fenômeno de resistência ao produto se espalhou no País entre 1999 e 2012. O monitoramento da resistência abrangeu 147 cidades e ferramentas de estatística espacial foram utilizadas para produzir os mapas nacionais.

O estudo observou que, entre 1999 e 2000, a sensibilidade das larvas ao produto era alta, com focos de resistência localizados na faixa litorânea entre o Norte e o Nordeste e no entorno do Rio de Janeiro. Já em 2004 e 2005, mais da metade do Brasil tinha níveis de resistência suficientes para prejudicar a eficácia do temefós. Por fim, em 2010 e 2011, a resistência tinha alcançado quase todos os Estados, com exceções em Rondônia, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

De acordo com os pesquisadores, os dados apontam que a resistência a inseticidas pode progredir de forma rápida, reforçando a necessidade de estratégias para reduzir a ocorrência do fenômeno e de monitoramento constante para garantir a efetividade do controle do Aedes aegypti.

A pesquisa teve como base dados reunidos pela Rede Nacional de Monitoramento de Resistência do Aedes aegypti a Inseticidas (MoReNAa) sob tutela do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde. Participaram a Universidade Federal de Viçosa, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz-PE), o Ministério da Saúde, as secretarias municipais de Saúde de Belo e de São Domingos do Prata (MG) e as secretarias estaduais de Saúde do Ceará e de São Paulo. Leia o artigo.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Fiocruz

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

#10MinContraADengue: Antes de viajar, mantenha a sua casa protegida do mosquito da Dengue

Com o feriado de carnaval, muitas famílias aproveitam para viajar. No entanto, é preciso tomar alguns cuidados para evitar que o Aedes aegypit (mosquito que transmite Dengue, Chikungunya e Zika Vírus) se prolifere na sua casa que permanecerá fechada durante algum tempo.

O assessor da Superintendência de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Fernando Campos Avendanho, destaca que a “recomendação aos viajantes é de que, antes de saírem de suas casas, façam uma vistoria detalhada dentro de casa e nos quintais com o objetivo de eliminar os recipientes ou tampar totalmente qualquer reservatório que possa acumular água parada e servir como criadouro do mosquito”, explica.

Vale lembrar que o verão, estação do ano em que as temperaturas são mais altas e as chuvas mais frequentes, oferece as condições ideais à proliferação do mosquito. Por isso, é importante reforçar os cuidados para eliminar os criadouros do Aedes aegypti e evitar a transmissão das doenças.

Ciclo de Reprodução do mosquito
“Do ovo, passando pela fase larvária até chegar à forma adulta, o ciclo de reprodução do mosquito pode variar de 5 a 10 dias em condições ideais, como acontece nesta época chuvosa e de calor do ano. A fêmea do mosquito deposita seus ovos na parede interna dos reservatórios e estes podem permanecer viáveis por aproximadamente um ano. Assim que o ovo entra em contato com a água ele eclode e inicia o ciclo”, explica Fernando.

Ainda de acordo com Fernando, “a ação mais efetiva para se evitar a transmissão de zika, chikungunya ou dengue é eliminar os focos do Aedes aegypti. Pesquisas mostram que cerca de 80% dos focos do mosquito estão nos domicílios”. Dessa forma, é indispensável que toda a população se mobilize e, cada um faça a sua parte no combate ao Aedes Aegypti.

Confira o que fazer em casa antes de viajar:
- Cuidado especial no armazenamento e destinação do lixo, mantendo-o em recipiente fechado e disponibilizando-o para recolhimento pela Limpeza Urbana;
- Jamais descarte o lixo ou qualquer outro material que possa acumular água no quintal de casa, no quintal de vizinhos, na rua ou em lotes vagos. Caixas de leite, latinhas, garrafas e similares, é recomendável retirar o fundo para descartar;
- Mantenha a caixa d’água sempre limpa e totalmente tampada;
- Mantenha as calhas livres de entupimentos para evitar represamento de água nas mesmas;
- Elimine os de vasos de plantas e bebedouros de animais;
- Mantenha piscinas devidamente tratadas e tampadas.
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

#10MinContraADengue: Mosquito Aedes aegypti transmite Dengue, Chikungunya e Zika Vírus

Entra ano e sai ano, a recomendação é uma só: não deixe acumular água parada em casa, na escola ou no trabalho. São nestes locais que o mosquito Aedes aegypti encontra um local propício para a transmissão de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus. Para sensibilizar a população sobre a importância de reservar um tempinho para fazer uma vistoria para eliminar qualquer possibilidade de foco destas doenças, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) lançou a campanha “10 Minutos Contra a Dengue”.

Esta nova abordagem é fruto de uma pesquisa elaborada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro, que foi inspirada em uma estratégia adotada em Cingapura, no Sudeste Asiático. Ao reservar dez minutos semanais para a limpeza das residências, os moradores daquela localidade conseguiram controlar o Aedes aegypti e, com isso, eliminar possíveis criadouros.
“Temos que ter em mente que não se trata de uma ação unilateral, de responsabilidade apenas do poder público. A participação da população é fundamental nesse processo, uma vez que elas podem auxiliar com a mobilização e com as atividades de controle, inclusive estando atenta aos criadouros do vetor em seus domicílios”, explica o superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES-MG, Rodrigo Said.

Sintomas
Com quatro sorotipos diferentes, a Dengue pode ser adquirida mais de uma vez, mesmo que a pessoa já tenha contraído a doença. Trata-se de uma doença infecciosa febril que dura um pouco mais de uma semana. O diagnóstico da Dengue se dá através de exame clínico no consultório médico no qual o profissional realiza a Prova do Laço e faz o pedido laboratorial para um exame de sangue no paciente.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a pessoa com Dengue tome muito líquido para evitar desidratação e só use medicamentos com recomendação médica.

Já a Chikungunya é uma doença viral, muito comum em algumas regiões da África, causada pelo vírus CHIKV, da família Togaviridae. Na fase aguda, os sintomas são febre alta, dor muscular, exantema (erupção na pele), conjuntivite e dor nas articulações (poliartrite). No Brasil, o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, mosquitos transmissores da dengue e da febre amarela, são vetores em potencial da doença.

E, por último, o Zika Vírus provoca uma doença com sintomas muito semelhantes ao da Dengue, febre amarela e Chikungunya. De baixa letalidade, a chamada febre zika causa febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores nas articulações) e exantema maculo-papular (manchas ou erupções na pele com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas. A doença tem um período de incubação de aproximadamente quatro dias até os sintomas começarem a se manifestar e os sinais e sintomas podem durar até sete dias. Abaixo, confira alguns cuidados simples que evitam a transmissão:
# Mantenha o quintal, a varanda, o porão ou o terraço da casa limpos e sem água parada para evitar os possíveis criadouros: nada de manter pratinhos de plantas com água, garrafas pet ou qualquer objeto que facilite o acúmulo de água;
# Dê um cuidado especial ao armazenamento e destinação do lixo. Jamais descarte qualquer outro material que possa acumular água no quintal de casa, no quintal de vizinhos, na rua ou em lotes vagos. Latas, caixas de leite e similares, é recomendável retirar o fundo para descartar;
# Mantenha as calhas livres de entupimentos para evitar represamento de água nas mesmas;
# Mantenha limpos e escovados os bebedouros de animais domésticos. É importante a água ser trocada diariamente;
# Mantenha piscinas devidamente tratadas;
# Cuidados extras para reservatórios de água: caixas de água devem estar bem tampadas e vedadas. Se optar em armazenar água das chuvas, é importante que tampe bem os recipientes.

Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Governo cria grupo de trabalho para combate a surto de microcefalia

A presidenta Dilma Rousseff determinou a criação de um grupo interministerial, sob coordenação da Casa Civil, para tratar do surto de microcefalia que acomete estados do nordeste. O tema foi tratado na reunião de coordenação política desta segunda-feira (23).

De acordo com boletim epidemiológico do dia 17/11 sobre microcefalia, do Ministério da Saúde, foram notificados 399 casos da doença em recém-nascidos de sete estados da região Nordeste. O maior número de casos foi registrado em Pernambuco (268), primeiro estado a identificar aumento de microcefalia em sua região e que conta com o acompanhamento de equipe do Ministério da Saúde desde o dia 22 de outubro. Em seguida, estão os estados de Sergipe (44), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8).

De acordo com o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social, a presidenta também pediu que o ministro Marcelo Castro, da Saúde, realize uma reunião com pesquisadores, para que o governo avance ainda mais nas medidas que estão sendo tomadas em caráter emergencial.

“A presidenta pediu que o ministro tome todas as medidas necessárias para que a gente possa, independente das conclusões dos estudos que estão sendo feitos, enfrentar o surto, combatendo em primeiro lugar o mosquito, e que a gente possa desencadear uma campanha informativa junto à sociedade”.

Edinho Silva explicou que há estudos científicos que indicam que os casos de microcefalia têm como causa o zika vírus, que teria o mesmo vetor de transmissão da dengue, o mosquito aedes aegypti.

Em resposta a um questionamento de jornalistas, o ministro também esclareceu que não era possível tomar medidas preventivas por se tratar de uma ocorrência sem registro na história da medicina. “Inclusive os estudos ainda estão sendo feitos para que se possa constatar a real origem”.

Questionado sobre a necessidade de recursos num cenário de ajuste fiscal, o ministro afirmou tratar-se de saúde pública, uma questão maior. “Por mais que a gente tenha em nosso horizonte a questão do equilíbrio fiscal do governo, quando se fala em saúde pública, os recursos têm que ser destinados, e essa é a vontade da presidenta Dilma”.

O ministro Edinho Silva também afirmou que a presidenta Dilma está comandando pessoalmente todas as ações do governo federal para mitigação das perdas causadas pelo rompimento de barragem de rejeitos em Mariana (MG). “Tanto em relação à questão humanitária como em relação à questão ambiental”, ressaltou.

Mariana
O ministro Edinho Silva também
afirmou que a presidenta Dilma está comandando pessoalmente todas as ações do governo federal para mitigação das perdas causadas pelo rompimento de barragem de rejeitos em Mariana (MG). “Tanto em relação à questão humanitária como em relação à questão ambiental”, ressaltou.

O ministro lembrou que o governo federal vem tomando medidas duras na responsabilização da mineradora Samarco. Já no dia em que sobrevoou a região em que ocorreu o desastre, na quinta-feira (12), a presidenta anunciou multas no valor de R$ 250 milhões, com aplicação pelo Ibama, pelo lançamento de rejeitos em rios próximos à barragem, e em razão dos prejuízos causados à biodiversidade.

“Independentemente das investigações, o governo já tomou medidas duras, porque é evidente que tem uma responsabilidade e essa responsabilidade tem que ser cobrada”, disse o ministro.

O governo também reconheceu a situação de emergência em Mariana por procedimento sumário, para a ampliação das ações de assistência e reconstrução das áreas prejudicadas e possibilitar que as famílias afetadas pudessem sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A situação de emergência foi publicada na quarta-feira (11) no Diário Oficial da União.

O governo federal também instituiu o Comitê de Gestão e Avaliação de Respostas ao desastre. O objetivo do Comitê é acompanhar as ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais afetados, recuperação de ecossistemas e de reconstrução decorrentes do desastre. Coordenado pela Casa Civil, é composto pelos ministérios da Integração Nacional, Justiça, Defesa, Minas e Energia, Meio Ambiente e Cultura e pela Advocacia-Geral da União.

Dilma articulou ainda ações conjuntas com os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e Paulo Hartung, do Espírito Santo, estados afetados pelo desastre ambiental. O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, tem acompanhado as ações emergenciais nas cidades afetadas.