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quarta-feira, 1 de junho de 2016

17 milhões de pessoas vivendo com HIV recebem tratamento em todo o mundo


Estima-se que 17 milhões de pessoas tenham chegado ao final de 2015 com acesso a medicamentos antirretrovirais capazes de salvar vidas. Isso significa que, em um período de 12 meses, 2 milhões a mais de pessoas passaram a ter acesso ao tratamento. O anúncio, feito em um novo relatório do UNAIDS, intitulado Global AIDS update 2016 (Atualização sobre a AIDS no Mundo 2016), chega às vésperas do encontro de líderes na Reunião de Alto Nível da ONU sobre o fim da AIDS, que acontece agora de 8 a 10 de junho em Nova York.

O aumento extraordinário do tratamento antirretroviral desde 2010 por muitos dos países mais afetados do mundo reduziu as mortes relacionadas à AIDS de 1,5 milhão em 2010 [1.3 milhão–1.7 milhão] para 1,1 milhão [940 000–1.3 milhão] em 2015. À medida que mais países adotam as novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), para tratar imediatamente todas as pessoas com diagnóstico de HIV, grandes benefícios de saúde pública estão sendo realizados para indivíduos e para a sociedade em geral.

“Precisamos de uma resposta à epidemia de AIDS centrada em pessoas, capaz de remover todos os obstáculos no caminho do acesso que as pessoas precisam ter aos serviços de prevenção e tratamento do HIV”

“O potencial máximo da terapia antirretroviral está em execução”, disse Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS. “Pedimos a todos os países que aproveitem essa oportunidade sem precedentes para iniciar os programas de prevenção e tratamento contra a AIDS, com o objetivo de pôr fim à epidemia em 2030”.

A cobertura global da terapia antirretroviral alcançou 46% [43-50%] no final de 2015. Os ganhos foram maiores na região mais afetada do mundo, a África Oriental e Austral, onde a cobertura aumentou de 24% [22-25%] em 2010 para 54% [50-58%] em 2015, atingindo um total de 10,3 milhões de pessoas. Na África do Sul, 3,4 milhões de pessoas tiveram acesso ao tratamento, seguido pelo Quênia, com quase 900 000.

O relatório do UNAIDS foi lançado em Nairobi, no Quênia, um dos países que mostram o progresso mais notável na expansão do acesso a medicamentos antirretrovirais e na redução do número de novas infecções pelo HIV. Ao todo, 12 países (Botswana, Eritreia, Quênia, Malawi, Moçambique, Ruanda, África do Sul, Suazilândia, Uganda, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe) aumentaram a cobertura do tratamento em mais de 25 pontos percentuais entre 2010 e 2015.

“O governo do Quênia, em parceria com o UNAIDS e outros parceiros de desenvolvimento, está comprometido com a abordagem da Aceleração da Resposta para acabar com a AIDS como uma ameaça à saúde pública até 2030”, disse Cleopa Mailu, Secretário de Governo do Quênia para a Saúde. “Temos que catalisar investimentos em diferentes setores, com foco em programas com boa relação custo-benefício e socialmente inclusivos, se quisermos ter sucesso”.

A abordagem do UNAIDS de Aceleração da Resposta para acesso ao tratamento tem provado ser bem-sucedida nos países que a adotaram. A resposta oportuna deve continuar para que seja possível alcançar a meta de tratamento 90-90-90 do UNAIDS até 2020, em que: 90% das pessoas que vivem com HIV estejam diagnosticadas; 90% das pessoas diagnosticadas positivas para HIV estejam em tratamento; e 90% das pessoas em tratamento tenham carga viral indetectável. Atingir a meta de tratamento para 2020 irá colocar o mundo na direção certa para que se possa acabar com a epidemia de AIDS até 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Revigorando a prevenção do HIV

Prevenir novas infecções pelo HIV por meio da neutralização do estigma e da discriminação e também pela garantia de que 90% das pessoas tenham acesso a serviços de prevenção combinada ao HIV também será crucial para acabar com a epidemia de AIDS.

O relatório do UNAIDS mostra que o declínio em novas infecções por HIV entre adultos perdeu fôlego de forma alarmante nos últimos anos, com o número anual estimado de novas infecções entre adultos praticamente estático em cerca de 1.9 milhão [1.7 milhão – 2.2 milhões]. Os números globais escondem disparidades regionais que devem ser abordadas para alcançar as reduções necessárias para o fim da epidemia de AIDS até 2030.

A maior redução nas novas infecções em adultos ocorreu na África Oriental e Austral. Em 2015, houve queda de cerca de 40 000 infecções por HIV em adultos na região em relação a 2010, uma queda de 4%. Mais declínios graduais foram alcançados na região da Ásia e do Pacífico e da África Ocidental e Central. Taxas de novas infecções por HIV em adultos ficaram relativamente estáveis na América Latina e no Caribe, Europa Ocidental e Central, América do Norte, Oriente Médio e Norte da África. No entanto, o número anual de novas infecções por HIV na Europa Oriental e na Ásia Central aumentou em 57%.
Pessoas que estão sendo deixadas para trás

No relatório, o UNAIDS incita os países a dar continuidade à intensificação dos esforços de prevenção do HIV à medida que seguem implementando o tratamento, já que muitas pessoas ainda não estão sendo alcançadas.

Jovens e adolescentes, especialmente as mulheres jovens e meninas, ainda estão sendo deixadas para trás na resposta à AIDS. Garotas adolescentes e mulheres jovens entre 15-24 anos de idade são as que têm o maior risco de infecção por HIV no mundo, sendo representando 20% das novas infecções pelo vírus entre adultos em 2015 – apesar de representarem apenas 11% da população adulta. Na África Subsaariana, meninas adolescentes e mulheres jovens são responsáveis por 25% das novas infecções por HIV entre adultos.

Normas prejudiciais de gênero e desigualdade, obstáculos à educação e serviços de saúde sexual e reprodutiva, pobreza, insegurança alimentar e violência são os principais fatores que impulsionam o aumento de vulnerabilidade nestas populações.

O relatório também mostra que mais de 90% das novas infecções por HIV em 2014 na Ásia Central, Europa, América do Norte, Oriente Médio e Norte da África estavam entre as populações-chave e seus parceiros sexuais, incluindo gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis. Na África Subsaariana, as populações-chave são responsáveis por mais de 20% das novas infecções por HIV. Estas populações ainda não estão sendo alcançadas com serviços de prevenção e tratamento do HIV, apesar de terem as maiores taxas de prevalência do vírus.

O relatório incita os países a trabalhar em estreita colaboração com os parceiros, em particular a sociedade civil, as comunidades e as pessoas que vivem com o HIV, para garantir que os governos saibam onde suas epidemias estão concentradas e que tenham os serviços adequados disponíveis nos lugares certos.

“Precisamos de uma resposta à epidemia de AIDS centrada em pessoas, capaz de remover todos os obstáculos no caminho do acesso que as pessoas precisam ter aos serviços de prevenção e tratamento do HIV”, disse Sidibé. “Esses serviços devem ser totalmente financiados e apropriados às necessidades das pessoas, para que possamos acabar com a epidemia de AIDS para todos”.

O relatório destaca que a ciência, a evidência e a política abriram uma oportunidade única para acabar com a epidemia de AIDS até 2030 como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A comunidade global tem de se unir em torno desse objetivo comum para realizar todo o potencial das oportunidades ou arriscar que a epidemia se prolongue indefinidamente.

Fonte: UNAIDS

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ministério da Saúde e UNAIDS celebraram o respeito aos direitos humanos

A discriminação às pessoas que vivem com HIV e aids tem sido um dos grandes empecilhos para o combate mais eficiente da epidemia de aids. Para eliminar todas as formas de preconceito, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) - com apoio do Ministério da Saúde e da Arquidiocese do Rio de Janeiro - realizou na sexta-feira (23), no Cristo Redentor a solenidade dentro do projeto Zero Discriminação. A campanha promove nas redes sociais o respeito às diferenças e a solidariedade entre todas as pessoas, por uma sociedade sem estigmas e preconceitos.

O Ministério da Saúde investiu, desde 2006, R$ 8,5 milhões em 256 projetos para fortalecer ações de promoção e defesa dos direitos humanos relacionados à epidemia de DST, aids e hepatites virais. O público alvo dessas ações são pessoas vivendo com HIV/aids, portadores de hepatites virais, gays e homens que fazem sexo com homens, pessoas que usam álcool e outras drogas, profissionais do sexo, travestis e transexuais.

“O preconceito é uma das grandes vulnerabilidades das pessoas que vivem com HIV e aids e um entrave ao acesso às políticas publica de enfrentamento à epidemia. Para combater essa vulnerabilidade, o Ministério da Saúde pauta todas as suas políticas no respeito à diversidade e na promoção de direitos humanos”, explica Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.



Durante a cerimônia, o diretor executivo adjunto do Programa Conjunto das nações Unidas sobre o HIV e aids (UNAIDS) disse que a mensagem central desta campanha é a luta contra todos os tipos de preconceito. “O mundo está passando por uma crise, com o crescimento do preconceito e da intolerância. E a única forma de responder a essa crise mundial e combater esses males é por meio da cooperação de todos os setores da sociedade. Só venceremos essas chagas trabalhando juntos”, completou.

O Cardeal Dom Orani Tempesta que também esteve presente à cerimônia, disse que “todos devem entrar na luta contra todo tipo de preconceito que assola nossa sociedade, pois só assim conseguiremos construir uma sociedade melhor”, reiterou.

Zero discriminação – O evento reuniu a campanha UNAIDS - Zero Discriminação e a campanha Somos Todos Iguais, da reitoria do Cristo Redentor e da Arquidiocese do Rio de Janeiro, igualmente dedicada a promover o respeito aos direitos humanos.

O evento contou também com a presença de representantes de diversos setores da sociedade e dos os netos do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela – Kweku Mandela e Ndaba Mandela. Além de ter apoio do Departamento de Fundamentos de Enfermagem das Universidades do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Veiga de Almeida (UVA).

Lançada pelo UNAIDS, a campanha Zero Discriminação tem como meta combater estigma e preconceito que impeçam o direito a uma vida plena, digna e produtiva. Liderada pela porta-voz do UNAIDS para a Zero Discriminação e vencedora do prêmio Nobel da Paz Daw Aung San Suu Kyi, a iniciativa busca mobilizar jovens, comunidades, organizações religiosas e defensores dos direitos humanos para a promoção da inclusão e do respeito a esses direitos inalienáveis.

Cenário - A epidemia de aids no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20 casos de aids a cada 100 mil habitantes, o que representa 39 mil casos novos da doença ao ano. Estimativas indicam que, atualmente, 718 mil pessoas vivam com HIV, sendo que 150 mil desconhecem sua situação. O desconhecimento da sorologia é hoje um dos desafios a serem enfrentados no combate à doença no país. Atualmente, estão em tratamento - com medicamentos antirretrovirais ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - cerca de 340 mil pessoas.


Fonte: MS