Mostrando postagens com marcador gay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gay. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de janeiro de 2018

Proibir doação de sangue por homens homossexuais é PRECONCEITO

Muito sangue tem sido derramado em nosso país em nome de preconceitos que não se sustentam”. 

Essa frase do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, resume a importância do debate que está sendo travado sobre as restrições impostas pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa à doação de sangue por homens homossexuais.

Relator do caso no Supremo, Fachin já votou pela declaração de inconstitucionalidade dessa restrição, no que foi acompanhado pelos ministros Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Rosa Weber.

O ministro Alexandre de Moraes concordou com o tratamento diferenciado, embora tenha feito ressalvas. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Proposta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2016, a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.543, que está sendo julgada, questiona as normas que declaram ser inapto para a doação o homem que tenha se relacionado sexualmente com outro homem nos 12 meses anteriores ao dia da doação. 

Ouseja, basta uma única relação sexual em um ano para inviabilizar a doação. Assim, qualquer homem homoafetivo que possua um nível mínimo de atividade sexual torna-se permanentemente
inapto a doar sangue. 

No momento da doação, o candidato homem é questionado se manteve relação sexual com outro
homem nos 12 meses anteriores àquela data. Caso a resposta seja afirmativa, o candidato é automaticamente excluído do procedimento e sequer tem o sangue coletado para análise.

Essa situação representa tratamento discriminatório por parte do Estado, já que todo o material sanguíneo, de toda e qualquer pessoa, antes de ser doado, deve ser submetido a exames aptos a detectarem a contaminação por doenças transmissíveis.

Impressiona ainda o fato de que a mesma portaria que traz essa regra de exclusão afirma que a orientação sexual não deve configurar critério para a seleção de doadores de sangue.

Argumenta-se ser justificável tal discriminação pelo fato de que é proporcionalmente maior a incidência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) nos homens homossexuais em relação aos heterossexuais. 

No entanto, segundo o último Boletim Epidemiológico da Aids, a incidência de contaminação pelo vírus HIV também é maior na população que não possui curso superior, em relação ao grupo que possui graduação. 

O índice de contaminação pela Aids também é maior na população parda em relação à população branca. A lógica adotada pelo Ministério da Saúde, portanto, mostra o desacerto de se justificar proibições unicamente na leitura crua de dados frios, sem o mínimo processamento racional dos números. 

A questão central é que os comportamentos de risco para a contaminação por DST não decorrem da orientação sexual dos parceiros envolvidos nas relações sexuais. O risco de contaminação é gerado pela prática sexual sem a utilização de preservativos ou com parceiros desconhecidos, independentemente de o ato ter ocorrido entre homens, entre mulheres, ou entre homens e mulheres. 

A proibição de doação de sangue por homens homossexuais surgiu na década de 1980, quando havia um desconhecimento completo sobre as causas da Aids.

Como consequência, ao se perceber que a incidência do vírus HIV era maior em determinados grupos, vários países proibiram, como medida de segurança, a doação de sangue por pessoas que se incluíam nesses grupos. Assim, a segregação se deu em razão da falta de conhecimento sobre as causas e as formas de transmissão do vírus HIV.

Hoje, por outro lado, é sabido que a causa da doença é a relação sexual desprotegida, de quem quer que seja, razão pela qual proibir a doação de homens homoafetivos deixou de ser uma medida de segurança e se tornou uma medida de preconceito injustificado. 

Grande parte dos países acabaram com essa proibição. Portugal, Espanha, Chile e Argentina são
exemplos de nações que extirparam de seus ordenamentos a proibição de doar sangue imposta aos homens que se relacionam sexualmente com outros homens.

É preciso destacar que a permissão de doação por homens homossexuais não colocará em risco a segurança ou a qualidade do sangue. 

Atualmente já existem diversas regras que declaram inaptos qualquer um que possua comportamento sexual arriscado. 

O que se questiona, por meio da ADI, é apenas a premissa de que a orientação sexual representa, por si só, fator de risco para a transmissão de doenças. Na verdade, além de não representar perigo para a saúde pública brasileira, a extinção dessa proibição certamente contribuirá para amenizar a crise de baixo estoque vivenciada nos bancos de sangue brasileiros.

A contradição impressiona: embora apenas 1,8% da população brasileira seja doadora de sangue, abaixo da meta de 3% indicada pela Organização Mundial da Saúde, o país desperdiça anualmente milhões de litros de sangue por preconceito injustificado. Assim, a atual regra que impede a doação de sangue de homens homossexuais, além de violar os direitos constitucionais à igualdade e à dignidade humana, agrava a crise de carência de estoque vivenciada pelos bancos de sangue do país, mostrando-se prejudicial, também, à saúde pública brasileira.

Rafael Araripe Carneiro e Matheus Pimenta de Freitas Cardoso são advogados e professores do Instituto Brasiliense de Direito Público, em Brasília.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

#VisibilidadeTrans: Você sabe o que é isso?

O Dia da Visibilidade Trans é comemorado no dia 29 de janeiro. A proposta é sensibilizar a sociedade sobre as questões relacionadas à cidadania, aos direitos humanos e o acesso à saúde pública que envolvem a comunidade de transexuais e travestis.

Por meio da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, o Sistema Único de Saúde (SUS) universaliza o acesso à saúde pública à população LGBT sem que haja qualquer tipo de discriminação ou preconceito nas Unidades de Saúde. Por isso, transexuais e travestis podem ter o Nome Social no Cartão do SUS.

O nome social é aquele pelo qual transexuais e travestis preferem ser chamados (as) cotidianamente, refletindo sua identidade de gênero, em contraposição aos nomes de registro civil determinados no nascimento, com o qual não se identificam. Além disso, é muito importante que os profissionais de saúde respeitem a diversidade sexual e de gênero das usuárias e dos usuários da saúde pública, se preocupando com o acolhimento e tratamento adequado para que não haja discriminação, nem preconceito.

O cuidado com os aspectos da identidade de gênero são fundamentais para trabalhar questões de saúde de indivíduos que trazem uma identidade de gênero diferente de seu corpo biológico de nascimento. Evitar preconceitos e decisões clínicas baseadas em estereótipos de gênero auxilia no alcance do cuidado integral dessa população que tem outras demandas de saúde para além de sua sexualidade. 

– Quer conhecer mais sobre a Política Nacional de Saúde da População de Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Travestis? O UNASUS oferece um curso online! Clique aqui e faça a sua inscrição.