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sábado, 14 de maio de 2016

Prefeitos recebem carta de compromisso para combater Aedes aegypti

Declaração elaborada pela Sala Nacional de Coordenação e Controle em parceria com Ministério da Saúde confirma a necessidade de que as ações de enfrentamento ao vetor tenham seguimento

Gestores municipais de todo o país recebem, nesta quinta-feira (12/05), uma carta de compromisso para a continuidade das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de transmissão do Zika vírus, da dengue e da febre chikungunya. A entrega está sendo feita pela equipe da Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC) junto com técnicos do Ministério da Saúde durante o encerramento da XIX Marcha dos Prefeitos, evento aberto na última segunda-feira em Brasília.

A carta é um alerta aos prefeitos de que o combate ao mosquito não pode sofrer interrupções. O documento adverte que uma eventual suspensão nas ações de erradicação pode acarretar em aumento da infestação do Aedes aegypti, favorecido pelas condições climáticas. “Não podemos deixar que todas as ações que temos desenvolvido desde o fim do ano passado tenham seu ritmo reduzido ou sejam extintas em razão da diminuição da incidência do mosquito. Por isso, recomendo não só aos prefeitos, mas à população dos municípios, que continuem engajados nessa luta. Juntos, podemos vencer o mosquito de uma vez por todas”, destacou a coordenadora da Sala Nacional, Marta Damasco.  

Desde que foi decretado estado de emergência em saúde pública, no final do ano passado, os mais de 5 mil municípios do país passaram a contar com a ajuda de 46 mil agentes de controle de endemias e 266 mil agentes comunitários de saúde. Eles, que já atuavam regularmente nessas atividades, passaram a realizar visitas de rotina às residências para eliminação e controle do vetor. Além disso, as ações realizadas nos municípios tiveram a participação de militares das Forças Armadas, que auxiliaram com transporte, comunicação e pessoal. 

Foi também elaborado pelo Ministério da Saúde o Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia, que contemplou o combate ao mosquito Aedes aegypti. Para eliminar o mosquito, o governo federal engajou vários órgãos privados e governamentais, com a criação de salas de coordenação e controle em nível nacional, estadual e municipal. Atualmente, 1.096 municípios notificaram possuir salas ou comitês de monitoramento das ações de combate ao Zika vírus e à microcefalia. 

A Sala Nacional é responsável pela consolidação, monitoramento e divulgação dos dados de imóveis visitados e de focos encontrados, os quais são repassados por estados e municípios, além de promover ações para eliminação de criadouros do mosquito e de acompanhar e divulgar os resultados obtidos.

Visitas aos imóveis – Até o último dia 6, no fechamento do terceiro ciclo da etapa de ataque ao vetor, as equipes de combate ao mosquito Aedes aegypti informaram ter visitado mais de 28,3 de milhões de imóveis brasileiros. Foram 18,3 milhões de domicílios, prédios públicos, comerciais e industriais efetivamente vistoriados, além de 3,8 milhões de estabelecimentos que ou estavam fechados ou houve recusa para acesso. Nesse terceiro ciclo, 4.649 do total de 5.570 municípios brasileiros registraram as visitas no Sistema Informatizado de Monitoramento da Presidência da República (SIM-PR).

O primeiro ciclo da mobilização, realizado entre janeiro e fevereiro, alcançou 88% dos domicílios e prédios públicos, comerciais e industriais, num total de 59 milhões de imóveis visitados, sendo 47,8 milhões trabalhados e 11,2 milhões que estavam fechados ou houve recusa para o acesso. No segundo ciclo, em março, as equipes de combate ao mosquito Aedes aegypti alcançaram 34,9 milhões de imóveis brasileiros, sendo 29,2 milhões de domicílios, prédios públicos, comerciais e industriais efetivamente vistoriados.

Em todo o país, as visitas aos imóveis contam com a participação permanente de 266,2 mil agentes comunitários de saúde e 49,2 mil agentes de controle de endemias, com apoio de aproximadamente 5 mil militares das Forças Armadas. Há ainda o reforço de profissionais destacados pelos estados e municípios, como membros da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.

Fonte: MS 

Fiocruz apresenta pesquisas sobre chikungunya, zika e Aedes

A edição de maio da revista "Memórias" do Instituto Oswaldo Cruz apresenta entre os destaques um estudo sobre as características genéticas do vírus chikungunya de viajantes que chegaram ao Rio de Janeiro entre 2014 e 2015. A análise realizada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) apontou a presença da linhagem asiática do vírus, indicando oito pontos de variação no genoma viral em um dos pacientes.
Outro estudo em destaque revela detalhes sobre os danos provocados pelo zika vírus na placenta de mulheres infectadas em diferentes períodos da gestação.
A publicação traz também um artigo que mostra a ampla disseminação da resistência a um larvicida entre as larvas do Aedes aegypti. A edição de maio da publicação Memória reúne, ao todo, dez artigos e pode ser acessada gratuitamente on-line.
 Chikungunya em viajantes

Uma pesquisa sobre características genéticas das cepas do vírus chikungunya isoladas de quatro viajantes que desembarcaram no Rio de Janeiro entre 2014 e 2015 reforça a importância desse tipo de monitoramento em ações de vigilância de doenças emergentes, aponta a Fiocruz. A análise identificou que os pacientes, com histórico de viagem para o Caribe, eram portadores de vírus da linhagem asiática.

O sequenciamento do genoma completo de um dos patógenos indicou semelhança de 97% a 99% com outras cepas da mesma linhagem isoladas de pacientes em diferentes países das Américas entre 2013 e 2014. Ao todo, oito pontos de variação no genoma foram identificados.

Segundo os autores, a linhagem asiática do vírus chikungunya foi a primeira a provocar casos da doença no continente americano. Em dezembro de 2013, cepas dessa linhagem foram detectadas no Caribe e progressivamente se espalharam para diversos países da região. No Brasil, porém, tanto a linhagem asiática como a linhagem africana do vírus chikungunya passaram a circular em 2014.

O primeiro registro de transmissão da linhagem asiática ocorreu em setembro de 2014, no Amapá, possivelmente após a chegada de um viajante do Caribe. Já a linhagem africana foi detectada uma semana depois, na Bahia, provavelmente trazida por um paciente vindo de Angola. No Rio de Janeiro, casos autóctones da febre chikungunya – transmitidos localmente – começaram a ser registrados em dezembro de 2015 e é possível que as duas linhagens estejam em circulação desde então.

De acordo com os cientistas, o cenário reforça a importância do monitoramento das características genéticas das cepas trazidas por viajantes, que podem introduzir mutações ainda não encontradas no País. Clique AQUI para conferir a pesquisa.

Danos associados ao zika vírus

Um estudo que analisa cinco casos de gestantes infectadas pelo zika vírus avaliou os danos provocados na placenta em diferentes fases da gestação. Seguindo a política de divulgação imediata de dados científicos sobre o tema, o artigo foi publicado no Zika Fast Track da revista Memórias, no dia 8 de março e incluído na edição de maio da publicação após o processo de revisão por pares. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Carlos Chagas (Fiocruz-Paraná) em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A pesquisa identificou, pela primeira vez, sinais de imaturidade placentária e de inflamação do tipo TORCH (sigla que reúne outras infecções associadas a malformações congênitas, como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus). Os problemas foram verificados em quatro pacientes infectadas no primeiro trimestre da gravidez. Uma delas sofreu aborto espontâneo na oitava semana da gestação e as outras três deram à luz bebês com microcefalia, que morreram pouco depois de nascer. Em todos os casos, o material genético do zika vírus foi encontrado tanto na placenta das gestantes como nos cérebros dos bebês.

O quinto caso investigado na pesquisa envolveu uma mulher infectada no oitavo mês de gestação que deu à luz um bebê saudável. Embora o zika vírus tenha sido encontrado na placenta da gestante, o bebê não foi infectado. Para os autores, ainda que a análise tenha contemplado um número reduzido de casos, os resultados indicam que a infecção no primeiro trimestre pode estar mais diretamente associada às malformações congênitas. A principal hipótese é que nas fases mais avançadas da gravidez, a placenta tenha maturidade suficiente para impedir a transmissão do zika vírus da mãe para o feto. Clique AQUI para acessar o estudo.

Resistência à larvicida mapeada

Um dos produtos mais usados no mundo por aliar alta eficácia, baixo custo e baixa toxicidade, o larvicida temefós começou a ser aplicado rotineiramente no Brasil nos anos 1980. No entanto, em 2010, seu uso precisou ser suprimido por causa do aumento da resistência das larvas do Aedes aegypti.

Com base em dados coletados ao longo de 12 anos, pesquisadores produziram mapas que mostram como o fenômeno de resistência ao produto se espalhou no País entre 1999 e 2012. O monitoramento da resistência abrangeu 147 cidades e ferramentas de estatística espacial foram utilizadas para produzir os mapas nacionais.

O estudo observou que, entre 1999 e 2000, a sensibilidade das larvas ao produto era alta, com focos de resistência localizados na faixa litorânea entre o Norte e o Nordeste e no entorno do Rio de Janeiro. Já em 2004 e 2005, mais da metade do Brasil tinha níveis de resistência suficientes para prejudicar a eficácia do temefós. Por fim, em 2010 e 2011, a resistência tinha alcançado quase todos os Estados, com exceções em Rondônia, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

De acordo com os pesquisadores, os dados apontam que a resistência a inseticidas pode progredir de forma rápida, reforçando a necessidade de estratégias para reduzir a ocorrência do fenômeno e de monitoramento constante para garantir a efetividade do controle do Aedes aegypti.

A pesquisa teve como base dados reunidos pela Rede Nacional de Monitoramento de Resistência do Aedes aegypti a Inseticidas (MoReNAa) sob tutela do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde. Participaram a Universidade Federal de Viçosa, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz-PE), o Ministério da Saúde, as secretarias municipais de Saúde de Belo e de São Domingos do Prata (MG) e as secretarias estaduais de Saúde do Ceará e de São Paulo. Leia o artigo.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Fiocruz

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Aedes aegypti e a Atenção Básica

O Departamento de Atenção Básica (DAB) reúne, nos links abaixo, conteúdos de grande importância para os trabalhadores e gestores de AB no enfrentamento ao Aedes aegypti. 

Trata-se de informações que reforçam as ações da Equipe de Atenção Básica e dos ACS no combate ao mosquito, como novas portarias e diretrizes para coordenar as ações nos municípios. 

Também é possível conhecer os novos protocolos e guias para subsidiar o cuidado das pessoas em decorrência das doenças transmitidas pelo mosquito e conhecer as ofertas do Ministério da Saúde atualmente disponíveis a trabalhadores e gestores da saúde. 

O objetivo é, em conjunto com várias áreas do MS, concentrar esforços pelo fortalecimento de estados e municípios para o enfrentamento ao transmissor da dengue, da Chikungunya e do Zika vírus, que pode causar microcefalia em bebês. 


O principal objetivo deste Protocolo é orientar as ações para a atenção às mulheres em idade fértil, gestantes e puérperas, submetidas ao vírus Zika, e aos nascidos com microcefalia. Recomenda, ainda, as diretrizes para o planejamento reprodutivo, a detecção e notificação de quadros sugestivos de microcefalia e a reabilitação das crianças acometidas pela malformação congênita. 

Este conteúdo tem como finalidade prover a profissionais de saúde e áreas técnicas de vigilância em saúde informações gerais, orientações técnicas e diretrizes relacionadas às ações de vigilância das microcefalias em todo território nacional. 

Orientações para equipes da Atenção Básica e Atenção Especializada para estimulação precoce de crianças de zero a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. 

Este documento traz orientações sobre o uso de repelentes tópicos, ambientais e inseticidas para o controle do Aedes aegypit durante a gestação, nele também é possível consultar os repelentes regularizados na ANVISA. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Febre: dengue, zika, chikungunya ou gripe A (H1N1)?


Você está calmamente executando suas tarefas cotidianas. Vivendo a sua vida, simplesmente! De repente, do nada, vem uma sensação de desconforto físico e mal estar. Começa a sentir calafrios, dores pelo corpo, um espirro, um pouco de congestão nas vias respiratórias, sensação de cansaço e vontade de deitar. Sente seu corpo esquentar. Pega o termômetro e constata: febre. Toma um antitérmico, melhora um pouco e dali umas poucas horas...tudo de novo. A febre volta e está alta. O mal estar piora.

Na hora vem a dúvida: o quê será que é? Em tempos de epidemias de vírus, a questão é imediata: será gripe ou umas destas viroses como dengue, zika ou chikungunya? Como saber diferenciar e o que fazer para esclarecer? Quais providências tomar? Quais exames estão indicados? Vamos entender.

Neste outono, mais um vírus passa a circular pelos ares contaminando e matando pessoas: o vírus da gripe A (H1N1), também conhecida como gripe suína. Os números de casos e de óbitos este ano, nesta época, já superou em muito os do ano passado. Tanto que o governo cogita em antecipar a campanha de vacinação.

A diferença maior  entre este vírus e os da dengue, zika e chikungunya, no que se refere à transmissão, é que o da gripe circula sozinho pelos ares, passando diretamente da pessoa portadora para a pessoa susceptível pelo próprio ar ou por secreções contaminadas. Os outros  vírus  em geral “voam”  instalados no organismo mosquito vetor e transmissor, o Aedes aegypti.

Os sintomas gerais de todas estas viroses são muito semelhantes, principalmente no início: febre, que pode ser alta, dor de cabeça, dores pelo corpo, muito cansaço, sonolência, inapetência, dor nos olhos, sensação de congestão, náuseas, vômitos  e dores nas articulações. 

No entanto, estas viroses tem, além destes sintomas comuns,  particularidades clínicas específicas, muitas vezes difíceis para diferenciar,  que assim se caracterizam: 

- Gripe A H1N1: os sintomas de congestão são mais expressivos como congestão e coriza nasal, que pode ser clara ou purulenta,  espirros, tosse seca ou com catarro e muita  dor de garganta. Pode ocorrer também dor de ouvido. A dor de cabeça é muito comum, especialmente quando a movimentamos.

- Dengue: na dengue os sintomas congestivos são menos expressivos. Quase não há coriza nem tosse. Mas há muita dor de cabeça e uma dor característica atrás dos olhos. Predominam a intensa sensação de cansaço  e as dores pelo corpo todo. Podem surgir manchas vermelhas leves pelo corpo.  

- Dengue hemorrágica: o quadro é bem mais intenso. Predominam a sensação de desconforto e os sinais de sangramento. O nariz, a boca e as gengivas  podem sangrar. Podem surgir manchas roxas pelo corpo. Pode ocorrer uma dor abdominal muito forte, contínua, que não melhora com nada. A pele fica fria e pálida.

- Zika: de todas é a que tem sintomas mais leves na fase aguda. Tanto assim que pode passar despercebida, apenas como um quadro de desconforto sutil. Há poucos sintomas de congestão nasal, tosse ou dor de garganta.  As machinhas vermelhas espalhadas  pelo corpo são bastante características. Estas manchinhas podem coçar, assemelhando-se a uma alergia. Os olhos também podem ficar vermelhos e coçar um pouco.

- Chikungunya: os sintomas congestivos, como a dengue e a zika, são menos predominantes.  As dores articulares é que são mais características. Acometem principalmente as articulações dos pés, tornozelos e pulsos. Além da dor, as articulações podem ficar inchadas e vermelhas. Estes sintomas articulares podem durar semanas ou meses.

Os exames diagnósticos gerais podem ser pedidos pelo médico na suspeita de uma destas viroses. Um hemograma é sempre recomendável, pois indica se há ou não anemia. Mostra também o número de leucócitos – nossos glóbulos brancos-  indicando-nos a situação de nossa defesa. Importantíssimo observar a contagem das  plaquetas, que são responsáveis pela coagulação do sangue; o que é de extrema importância na suspeita de dengue hemorrágica.

Os exames específicos podem também ser pedidos, dependendo da situação clínica de cada paciente. Por isso, na presença destes sintomas, recomenda-se uma avaliação médica bem completa. 

A gripe é a única destas viroses para a qual, além do tratamento geral, há terapêutica antiviral específica, indicada em alguns casos.  Para as outras viroses o tratamento é de suporte e controle dos sintomas- o que também é essencial para salvar vidas, especialmente quando indicado a tempo.

Saber qual vírus nos acomete é muito importante! Fiquem atentos!

Fonte: Bem Estar