
O aumento da expectativa de vida e do envelhecimento da população são alguns dos índices que apontam o crescimento da necessidade da atuação do podólogo. Em constante expansão, esse profissional encontra cada vez mais espaço no mercado de trabalho.
As docentes do Senac São Paulo Aparecida Maria Bombonato e Conceição Aparecida de Paula Justino falaram sobre o tema. Aparecida é formada há 27 anos e leciona na instituição desde 1992. Ano em que Conceição se formou. Ela está no Senac há 15 e atua na área até hoje. Isso a possibilita unir conhecimento teórico à vivência no mercado. As duas publicaram quatro livros juntas, voltados para profissionais da área, e se complementam com uma base acadêmica sólida e uma vasta experiência profissional.
O início
De acordo com o site da Associação Brasileira de Podólogos (ABP), na década de 70, a ABP solicitou ao Senac São Paulo e recebeu a autorização da Secretaria da Educação para ministrar o curso de Podologia com 450 horas. “Na época do surgimento da ocupação, um profissional que sabia o ofício treinava o outro, que treinava o outro, e assim por diante. Porém, chegou um momento em que o próprio mercado exigiu um certificado. E, em 1979, o Senac São Paulo ofereceu o primeiro curso de Podologia do Brasil, chamado Pedicuro na ocasião. Eu fiz o curso e me formei em 1985”, conta Aparecida.
Com a criação do curso, vieram também os debates sobre a área. Em 1991, a ABP realizou o primeiro Congresso Brasileiro de Podologia, com apoio do Senac Tiradentes, unidade em que funcionava a primeira turma de Podologia. “Nessa época, houve a discussão sobre o fenol*, que rende até hoje”, fala Conceição. Além disso, Aparecida afirma que o evento foi um divisor de águas, já que trouxe visibilidade à profissão.
Em 1996, o curso passou para Técnico em Podologia, com carga horária de 1200 horas.
Mercado de trabalho
O ofício foi evoluindo e com ele suas particularidades, diferenciando-o de outras ocupações similares. É o que afirma Conceição: “A pedicure do salão é direcionada para estética, enquanto o podólogo é voltado para a saúde. De qualquer forma, todo profissional necessita de constante atualização para acompanhar o mercado, que passou a exigir mais conhecimento específico”.
Essa exigência do mercado surge da grande demanda por profissionais, por conta da procura pela podologia. “Hoje, a profissão é muito mais divulgada do que antigamente. O acesso a esse tipo de tratamento, que era restrito à classe alta, também se expandiu e hoje é acessível a todas as classes sociais”, diz Conceição.
De acordo com Aparecida, hoje, o podólogo pode atuar em clínicas especializadas, UBS, postos de saúde, clubes, SPAs, hotéis, salões de beleza, academia, home care e como autônomo, montando o seu próprio espaço. “Quando comecei a dar aula no Senac tinham pessoas que vinham de longe só pra fazer o curso, de Minas, Manaus, do interior de São Paulo. Hoje, o curso expandiu bastante. Até mesmo no Senac, antes era só na unidade Tiradentes, agora o curso é oferecido em mais de 15 unidades”, comenta a docente.
A profissão ainda não é reconhecida nem regulamentada. “A profissão só entrou na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2000. Isso já foi um avanço, pois quem for consultar já sabe que existe. Estamos lutando para a regulamentação”, fala Aparecida. “Há um sindicato no Estado do Rio de Janeiro, porém ainda não há nenhum órgão da categoria em São Paulo”, complementa Conceição.
Especializações
Apesar de a podologia já existir há mais de 30 anos, ter cursos profissionalizantes e demanda no mercado, ainda há muitos setores em que o profissional pode exercer seus conhecimentos. Conceição alerta para o fato do envelhecimento da população, já que a pessoa idosa tem muito mais complicações nos pés, por conta de inflamações e piora da circulação; do pé do diabético, que necessita de cuidados especiais; e do excesso da prática esportiva que pode causar danos aos pés, assim como o uso constante do salto alto. “Uma tendência são os cursos de especialização, pois cada público necessita de um tratamento diferenciado”, finaliza.
*O fenol (hidroxibenzeno) é um ácido corrosivo que irrita as membranas mucosas. Já foi utilizado na podologia, mas hoje seu uso não é permitido para esse fim.
Técnicas e Procedimentos no Aparelho Ungueal, Podologia Calos e Calosidades, Patologia das Unhas e Podologia no Esporte são livros publicados pelas profissionais.
Conheça o Técnico em Podologia que o Senac oferece e faça uma visita virtual ao Laboratório de Multiprocedimentos – Podologia na unidade Aclimação.