quarta-feira, 27 de julho de 2016

Zooterapia: Crianças recebem visita de pôneis no Hospital Federal da Lagoa

 Proposta transforma o jardim do Hospital Federal da Lagoa em espaço de atividades que humanizam o cuidado hospitalar

Todas as manhãs de quarta-feira,  os jardins projetados por Roberto Burle Marx, que ornam as instalações onde funciona o Hospital Federal da Lagoa (HFL), recebem a visita de alguns vizinhos, conhecidos como  Beethoven, Prestígio, Barney e Thiaguinho. Essa turma são os pôneis que chegam cercados de cuidados dos tratadores e expectativas por parte dos pequenos pacientes, ansiosos para iniciar mais um dia da aguardada Zooterpia.

A Zooterapia é uma proposta educativa e terapêutica, que transforma o jardim do HFL em espaço de atividades que humanizam  o cuidado hospitalar. Uma vez por semana, crianças com patologias mais graves que, muitas vezes, necessitam de períodos maiores de internação ou acompanhadas no ambulatório, participam da terapia com pôneis.

Criada a partir de uma  parceria realizada  entre o setor Lagoa Voluntário, a veterinária Ana Stela Fonseca e a criadora Françoise Denis, do Pônei Clube do Brasil, a iniciativa reúne cerca de 10 crianças, que se revezam montando, escovando ou simplesmente observando os pôneis nos jardins. 

Entre as principais patologias que acometem as crianças participantes da terapia estão doenças hematológicas como leucemias, linfomas e distúrbios da coagulação. Também participam da atividade pacientes com déficit cognitivo, déficit de atenção , hiperatividade e síndrome de espectro autista.

Humanização do cuidado

A zooterapia com pôneis faz parte das atividades voltadas para a humanização no atendimento dos pacientes no Hospital Federal da Lagoa. Paulo Cerdeira, coordenador do setor Lagoa Voluntário, explica que o contato com os animais fora das enfermarias ajuda a libertar a criança do estigma da doença: “Nos jardins, em contato com as plantas, sentindo o ar puro do ambiente, derrubamos mitos como o de que a criança hospitalizada não pode brincar, não pode pisar no chão, não pode correr”, explica o médico.

A dona de casa, Alcineia Moura, é mãe do paciente Breno Moura da Silva, de sete anos. Com síndrome de Down e cardiopatia, Breno há três anos participa da zooterapia. Alcineia conta que o filho já   apresentou uma melhora evolutiva motora e cognitiva após o início do tratamento. “Quando começou ele nem chegava perto dos pôneis. Hoje já brinca e escova os animais”, relata entusiasmada.

Outro exemplo do encanto que os animais exercem nos pequenos é o caso de Yasmin de Souza Azeredo, de seis anos. A mãe de Yasmin, a manicure Vanessa Teixeira de Souza, conta que a menina “ levou um coice quando era mais nova e por isso morria de medo de cavalos. A zooterapia fez ela perder o medo e hoje ela até monta os pôneis. Já é a quarta vez que participamos”.

A Zooterapia é apenas uma das atividades voltadas para o bem estar do paciente. Outros projetos e terapias alternativas também contribuem para uma humanização do ato de cuidar, estimular o sistema imunológico e potencializar o restabelecimento e recuperação da saúde física, mental e social. Exemplos como o projeto da faculdade de Teatro da UNIRIO (“O hospital como universo cênico”), os Contadores de História, o grupo Sonho de Criança e a Meditação para pacientes em quimioterapia, também estão vinculados ao setor ‘Lagoa Voluntário’.

A diretora da unidade, Roberli Bicharra, espera que essas atividades desenvolvidas no jardim e nas dependências do hospital possam contribuir para uma estada mais humanizada para pacientes, acompanhantes e visitantes. 

Veja agora o vídeo com momentos da zooterapia no Hospital da Lagoa:



  Fonte: Blog da Saúde


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